A PRIMEIRA GRANDE BATALHA DA GUERRA CIVIL DE 1832 - 1834
Fez, na passada 5.ª feira, 194 anos…
Qual a sua importância?
O historiador Paulo Caetano Moreira escreveu “A Batalha de Ponte Ferreira – Campo, Valongo, 1832”. No prefácio, Inês Amorim, Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, afirma: ”Na verdade e em conclusão, o autor conseguiu provar que o episódio da Ponte Ferreira foi a primeira grande batalha a ocorrer no início do cerco do Porto e da guerra civil de 1832 a 1834, e, por isso, mereceu a sua posterior evocação e enaltecimento.”.
O que aconteceu?
Para responder, seguirei de perto o que o mesmo historiador escreveu no seu livro ‘Campo e Sobrado - Duas freguesias – Notas Monográficas’, que, com vénia, passarei a citar.
Entrada no Porto
“O período bélico teve início com o desembarque das tropas liberais lideradas por D. Pedro IV, em Arenosa de Pampelido. Tal ocorre na tarde do dia 8 de julho de 1832. (…) Estando livre o Porto, começa a ocupação liberal no dia seguinte, 9 de julho.”
Início do Cerco
“A 21 de julho, as tropas miguelistas encontram-se acampadas em Ponte Ferreira (estendendo postos avançados até Valongo). Estão sob comando do Visconde Santa Marta que havia ordenado a disposição das tropas nas estradas de Braga e Guimarães, no sentido de isolar a cidade do Porto. O cerco que duraria até agosto do ano seguinte encontrava-se, assim, já a ser desenhado.”
‘Reconhecimento de Valongo’
A 22, algumas tropas liberais dirigem-se para Valongo onde há um confronto que ficou conhecido para a história como o ‘Reconhecimento de Valongo’ e que se revelou nada favorável aos referidos liberais que recuaram.”
Preparação da batalha
“Decidiu o imperador D. Pedro, para animar as suas tropas, mostrar, no dia seguinte, a força do exército constitucional ao exército do seu irmão (…) Tomando o Imperador o comando em chefe do exército, acamparam na zona de Rio Tinto, onde na noite de 22 chegou o resto das tropas. Organizaram-se três colunas. “
Início da batalha
“Na madrugada do dia 23, as tropas levantaram o bivaque em direção a Ponte Ferreira. Pelas nove horas da manhã, a coluna do centro entra em Valongo, acompanhada por Sua Majestade Imperial, que numa fase inicial se manteve no sítio das cruzes (um local estratégico donde se domina todo o vale) Quando eram onze horas, as três colunas liberais desembocam no campo de batalha, onde Santa Marta já dispunha de tropas desde a sua esquerda, nos montes que flanqueiam a margem direita do rio Douro até à direita da zona de Ponte Ferreira, ou seja Sobrado.”
A Batalha
“Dado o sinal de ‘avançar’, o “fogo tornou-se vivíssimo” com vivas saídos das fileiras liberais, por entre soldados mortos e feridos, a testa da coluna consegue atravessar a ponte (…) Até às cinco horas da tarde, o combate encontrava-se muito duvidoso. De seguida, os miguelistas atacam fortemente sobre a coluna do centro liberal, sendo vários batalhões de caçadores obrigados a retroceder. São auxiliados por dois batalhões de reserva permitindo luta durante algum tempo, mas sem avanços nem recuos. Entretanto, os atiradores miguelistas debandam e são atacadas as suas reservas que se retiram (…) De facto, os miguelistas dirigiram-se durante a noite para Baltar.”
Resultados:
Eram 8 000 liberais contra 12 000 miguelistas. Foi uma vitória encorajante, mas sem resultados práticos…
“As tropas liberais tiveram ordem para bivacar no campo de batalha. (…) O Imperador também ceou no acampamento. (…) Quanto ao número de mortos, no entanto, os mesmos terão ascendido a mais de uma centena. Quanto aos feridos, esses elevaram-se a várias centenas. (…)
No dia seguinte, os liberais marcham para o Porto, com D. Pedro vitorioso na dianteira, deixando território conquistado à mercê do inimigo absolutista que o viria a ocupar novamente. Desta forma, o intuito liberal não viria a ser satisfeito, ganhar e evitar o cerco. Ao passo que os absolutistas, debandando, viriam a conseguir os seus objetivos, cercar a cidade do Porto.” (pág. 162)
Esta batalha perdurou na memória da população local que, em oração pelos que nela pereceram, ergueu, na margem direita, à entrada da velha ponte medieval, umas ‘alminhas’ de invocação a Nossa Senhor do Carmo. E ainda na minha infância, me falavam da ‘cavada’, onde apareciam ossos dos cavalos, e do ‘Campo da Pica’, que, dizia-se, lembrava a luta à ponta da baioneta….
(Fotografia) O que resta das ‘Alminhas’ com o ‘Campo da Pica’, em fundo. (VP, 28/7/2026)