D. ANTÓNIO BARROSO E A DEVOÇÃO MARIANA
Quando se aproxima a festa da ‘Senhora das Candeias’, a grande solenidade do Porto medieval que D. João I escolheu para, em 1387, casar, na Sé, com D. Filipa de Lencastre, mãe da ‘Ínclita Geração’ ,veio-me à mente a palestra, com o título que acima assumi, proferida, no Monte da Virgem, (6/12/2025), por Amadeu Araújo, Vice postulador da ‘Causa de D. António Barroso’, onde falou das origens da “festa da Purificação de Maria (Apresentação do Senhor) que nasceu em Jerusalém no século IV e era também conhecida como festa da Candelária (2 de fevereiro).”
Esta magnífica comunicação obedeceu ao seguinte desenho: I – Devoção Mariana na Igreja Católica: 1. Fundamentação bíblica e teológica; 2. Desenvolvimento da devoção mariana; 3. O Magistério da Igreja e o Culto mariano. II – A devoção mariana na diocese do Porto. III – A devoção mariana na vida de D. António Barroso.
Limito-me aos dois últimos capítulos:
Devoção mariana na diocese do Porto
“Segundo uma tradição provavelmente lendária que começou a circular nos finais da Idade Média, uma armada de cavaleiros da Gasconha - a chamada “Armada dos Gascões” - ajudou a defender a cidade contra investidas muçulmanas. Entre eles estava um bispo, vindo da diocese de Vendôme, que trouxe consigo uma imagem da Virgem Maria. Esta imagem teria dado origem à veneração de Nossa Senhora de Vandoma, invocação que permanece central na devoção mariana portuense. (…)
O que a história documenta é que a reconquista da cidade aos muçulmanos foi feita por Vímara Peres, no século IX, mais precisamente em 868. Prova notória da notável importância da devoção mariana entre as gentes do Porto, desde os tempos da reconquista, está no brasão da cidade onde aparece a imagem da Senhora de Vandoma com o Menino cruzada com as armas de Portugal.
A devoção à Virgem Maria está bem presente e de várias formas no dia a dia da diocese e da cidade. Está presente nas paróquias e nas inúmeras igrejas, capelas e imagens diversas que ao longo dos séculos foram erigidas em honra de Maria, sob diferentes invocações, algumas bem originais como Nossa Senhora da Silva (na Sé do Porto). (…)
Devoção mariana de D. António Barroso
“Na diocese do Porto continuou bem viva a sua devoção à Imaculada Conceição. Eloquente testemunho é a sua participação na fundação deste santuário do Monte da Virgem.
É ao padre Luís Rocha (1872-1957) que se deve a fundação deste espaço de culto mariano, bem como o topónimo Monte da Virgem, que veio a substituir o de ‘Monte Grande’ ou ‘Monte Maior’, mas foi D. António Barroso que lançou a primeira pedra do monumento, a 25 de Junho de 1905, (…) Meses depois do lançamento da primeira pedra, D. António Barroso, em 10 de outubro daquele mesmo ano, aprovou a Comissão Executiva do Monumento a que ficou sempre ligado: «Muitas vezes subia a pé, recitando o terço, em companhia de algum sacerdote do Paço», como informa o padre Luís Rocha. (…)
(Fotografia) ‘Monumento à Imaculada, no Monte da Virgem
“(No) ano de 1918, no dia 25 de abril, D. António, já gravemente doente, criou a paróquia da Senhora da Hora.
A devoção a Nossa Senhora da Hora tem tradição popular antiga. As origens do culto naquele local remontam ao século XVI. Em 1514 foi construída a primitiva capela de Nossa Senhora da Hora num lugar que era conhecido como “Mãe d’Água”. Há relatos de mulheres grávidas que vinham pedir proteção da Virgem na hora do parto, de mulheres estéreis que vinham pedir para engravidar, e outras graças congéneres.
No final do século XIX e início do século XX, a população daquela área aumentou significativamente, em parte devido à construção de fábricas de grande dimensão, como a EFANOR, Empresa Fabril do Norte, fundada em 1907, e que nos seus tempos áureos, chegou a empregar mais de 3.000 trabalhadores. Este crescimento desmesurado tornou insuficiente o espaço da antiga capela a qual, administrativamente dependia da paróquia de Bom Jesus de Matosinhos
E assim, em 25 de abril de 1918, o bispo do Porto, D. António José de Sousa Barroso, erigiu canonicamente a Paróquia de Nossa Senhora da Hora. Viria a falecer quatro meses depois.”
Esta comunicação, pela beleza da forma e riqueza de conteúdo, é digna de ser conhecida, na sua versão integral, por esta cidade que se quer da Virgem. E bem o merece o seu autor que tanto tem feito pela ‘Causa’ do nosso Bispo Venerável.(28/1/2026)