QUANDO PASSA UM ANO DA SUA ELEIÇÃO
“Leão XIV apelou ontem àqueles que ‘têm o poder de iniciar guerras’ para que ‘escolham a paz’ (…) afirmou Leão XIV no Domingo de Páscoa.” (JN, 6/4/2026)
Para assinalar o primeiro ano da eleição de Leão XIV, escolhi esta notícia que sintetiza a preocupação maior do seu pontificado: o apelo à paz e a condenação da guerra. Logo na primeira saudação na varanda da basílica de S. Pedro disse: Vós todos, irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, a paz esteja convosco. Esta é a paz do Cristo Ressuscitado- uma paz que não é armada, que é de reconciliação, de comunhão”
- No Domingo de Ramos, afirmou
“Irmãos, irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, rei da paz. Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta, mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: ‘podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue.’ (7/Margens- 29/03/2026)”
- Já em 22 de fevereiro, no 4.º aniversário da invasão da Ucrânia pela Federação Russa, tinha dito: “Toda a guerra é realmente uma ferida infligida à inteira família humana: deixa para trás morte, devastação e um rasto de dor que marca gerações.”
- “Leão XIV falou antes do fim do prazo dado por Trump para aniquilar a civilização iraniana com bombas, alertando para o risco de uma ‘tirania maioritária’, mas o republicano não gostou das críticas e disse que o líder da Igreja Católica era ‘fraco’. Recebeu um rugido como resposta: ‘Não tenho medo” (JN, 16/4/2026)
A clareza com que afronta os ‘senhores da guerra’ (Putin e Trump) contrasta com o cuidado que põe nas respostas a perguntas ardilosas. Um exemplo.
“Há dias, quando o Papa respondia a jornalistas, a cadeia de televisão EWTN – conhecida por posições integristas – questionou-o sobre uma polémica que tem agitado a Igreja norte-americana.”
Que polémica?
“O cardeal Blase Cupich, de Chicago, decidiu atribuir um prémio ao senador democrata Dick-Durbin pelas suas posições pró-imigração. Esta homenagem foi criticada pelos católicos norte-americanos ‘pró-vida’ pelo facto de o senador ter apoiado iniciativas legislativas contra a criminalização do aborto. Alguns deles apoiam a perseguição aos imigrantes promovida pela administração Trump e defendem a pena de morte. Se o Papa dissesse que concordava com o prémio seria criticado por, ao contrário do que defende a doutrina católica, branquear posições pró-aborto. Se discordasse do prémio, estaria a deixar-se condicionar pelas posições rígidas desses católicos.”
Como Jesus…
“Também Jesus Cristo foi confrontado com questões que não procuravam esclarecer uma situação, mas apenas causar-lhe embaraço e reunir argumentos para o condenar. Foi o caso da mulher apanhada em flagrante adultério: perguntaram a Jesus se devia ser apedrejada de acordo com a Lei de Moisés, ou perdoada segundo a misericórdia que pregava. Jesus respondeu: ‘Quem não tiver pecados que atire a primeira pedra (Jo 8,1-11).”
A sábia resposta do Santo Padre:
“Leão XIV respondeu à pergunta que lhe foi colocada questionando se é possível um católico ser contra o aborto e a favor da pena de morte ou do ‘tratamento desumano’ dos imigrantes? Tal como Jesus, percebeu a intenção da pergunta: conduzi-lo a um beco sem saída. Mas o Papa não se deixou encurralar, devolvendo a provocação com uma chamada de atenção aos católicos que se dizem ‘pró-vida’, mas que só a defendem no que lhes convém.”
O Papa não se limitou a devolver a pergunta, mas aproveitou para fazer doutrina e, por isso, as suas palavras, como as de Jesus, foram registadas e divulgadas: a de Jesus, no Evangelho de S. João, o único a fazê-lo; a do Papa, na comunicação social. “
No dia seguinte a este episódio, um jovem, entusiasmado, veio mostrar-me um vídeo que havia gravado num telejornal, com o Papa Leão a falar enquanto, em rodapé, corria o texto:
“O Papa Leão XIV critica o movimento conservador ‘pró-Vida’. O primeiro Papa dos EUA questionou o significado de ser ‘pró-vida. Alguém que se diz contra o aborto, mas a favor da pena de morte não é realmente ‘pró-vida’. Alguém que se diz contra o aborto, mas está de acordo com o tratamento desumano dos imigrantes nos EUA não sei se isso é ser ‘pró-vida”.(JN, Leão XIV respondeu como Jesus)
Em síntese…
No avião de regresso de África, Leão XIV clarificou as exigências da missão profética da Igreja: “Como Igreja – repito – como pastor, não posso ser a favor da guerra. E gostaria de encorajar todos a esforçarem-se por procurar respostas que venham duma cultura de paz e não de ódio e divisão. - Janela Global, RTPnotícias, 24/4/2026” (6/5/2026).