VAMOS CONHECER PORTUGAL (VIII) - O RIO DOS FESTIVAIS DE VERÃO
O verão está aí…
Nasce nas serras de Paredes de Coura e desagua no rio Minho, junto a Caminha. Não é longo o rio Coura e, no entanto, a beleza das suas margens acolhe dois dos maiores festivais de verão.
Em Vilar de Mouros, bem próximo da sua foz, paremos no parque onde, desde 1965, se realiza o mais antigo dos festivais. Ao pé da ponte românica (século XIV), façamos silêncio e ouçamos o coaxar das rãs. No extremo norte, é o cantar das águas no açude do Tio Luís que nos embala. Um lugar bucólico onde apetece adormecer…
Façamo-nos peregrinos e subamos até ao mosteiro de S. João de Agra (século XIII) que nos transporta aos tempos medievais com os ‘cachorros’ românicos nas cornijas e os ‘albergues’ para os romeiros.
Na Serra d’Arga, desfrutemos da grandiosidade da paisagem, do colorido matizado da carqueja e da urze, e da graciosidade dos ‘garranos’ que correm livremente pela montanha.
Mais um esforço, e eis-nos chegados ao santuário de Nossa Senhora do Minho, benzido em 2006.
(Fotografia) Imagem da Senhora do Minho
A sua imagem, com os trajes regionais e espigas no regaço, retrata a beleza e a força da mulher minhota. Aí, recordo os amigos do Coro Gregoriano e do Boa Memória que já respiraram estes ares e rezo pelos que já partiram.
Na descida, em S. Lourenço da Montaria, subamos ao seu calvário e cantemos: “Digo adeus à Serra d’Arga. Digo adeus a S. Lourenço. Não te digo adeus a ti Porque sabes o que eu penso”.
Já no vale do Lima, vamos até às lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, uma paisagem classificada como ‘Zona Húmida’. nas margens do Rio Estorão. Após uma visita ao Centro de Interpretação Ambiental, os passadiços, em meandros, levam-nos a apreciar a sua elevada diversidade ao som de gorjeios e coaxos. E o dossel do arvoredo protege-nos dos raios solares.
Após Ponte do Lima, subamos até à Casa Grande de Romarigães, uma mansão nobre do século XVII com a capela de Nossa Senhora do Amparo, que deu título ao romance de Aquilino Ribeiro. Aqui morou Bernardino Machado, presidente da República Portuguesa, de 1915 a 1917. e o próprio Aquilino que se casou com uma das suas filhas.
Em Rubiães, admiremos a sua igreja, monumento nacional desde 1913, de origem românica (século XIII), e remodelada no século XVI, que, no adro, nos acolhe com um marco miliário da antiga via romana. Prende-nos a atenção o portal com a representação da ‘Anunciação’ e os capitéis, ricos em motivos vegetais e zoomórficos E não esqueçamos a Ponte Românica sobre o rio Coura, com três arcos de volta perfeita, que, ainda hoje, serve o Caminho de Santiago.
Subamos, agora, ao Castro do Cossourado, um povoado fortificado, construído no século X a. C. e monumento nacional desde 1910. No interior das suas três linhas defensivas, há habitações circulares e retangulares, recentemente, recuperadas. Na última vez que o visitei, duas delas estavam a ser cobertas de colmo.
O esforço da subida, para além de nos fazer coetâneos de povos doutros tempos, vale a pena pela amplitude dos seus horizontes.
Em Paredes de Coura, vamos à descoberta dum santuário de floresta autóctone - Corno do Bico - uma paisagem protegida com enormes blocos de granito, que nos acolhe com os cânticos dos seus pássaros. Nos lameiros que bordejam o caminho, pastam manadas de gado bovino. E o miradouro alarga-nos o olhar até às serras d’Agra, da Peneda e do Soajo.
Após um café na vila, rumamos ao Monte da Pena para venerar a sua padroeira. A capela, construída no século XVIII, tem na fachada frontal a imagem de Nossa Senhora da Pena. O arvoredo que a rodeia, convida-nos a descansar à sua sombra, antes de subirmos ao Miradouro com a paisagem mimosa do vale do Coura que nasce ali bem perto.
E terminamos na praia fluvial do Taboão, um local de sonho, onde, no verão, desde 1993, se realiza o Festival de Paredes de Coura, um dos melhores do País.
As terras ganham colorido afetivo quando nos falam de amigos. E nós evocamos…Na Serra d’Arga, o Joaquim Barbosa, duma família que muito colaborou na criação da paróquia de Nossa Senhora do Calvário; e, em Paredes de Coura, o P. António Bacelar, um amigo que casou nosso filho e batizou nossos netos.
Como sabe bem pontilhar o mapa com as cores da amizade… 9/6/2026)