VAMOS CONHECER PORTUGAL – VI – EM HONRA DE DOIS MINHOTOS DE RIJA TÊMPERA…
“O Convento da Franqueira foi construído por volta de 1560, utilizando pedras retiradas das ruínas do castelo de Faria, fortaleza do século XIV, que esteve ligado à figura de Nuno Gonçalves, alcaide-mor durante o reinado de D. Fernando. Feito prisioneiro pelos castelhanos, foi levado até às muralhas da fortaleza para persuadir o filho, Gonçalo Nunes, a render-se. Ao incitar o filho à resistência, acabou por ser morto no local, episódio que marcou a memória histórica do castelo.” (JN, 2/12/2025)
Recordei esta notícia quando li na comunicação de Amadeu Araújo, no Monte da Virgem, sobre a devoção mariana de D. António Barroso:
“Outro Santuário mariano a que anda associado é o Santuário de Nossa Senhora da Franqueira, um dos mais antigos e tradicionais santuários marianos do Norte do país (…) O Círculo Católico de Operários de Barcelos lançou, em 27 de setembro de 1908, o movimento das peregrinações anuais (…) A primeira grande peregrinação foi presidida por D. António Barroso, que passou a ser um peregrino assíduo. (…) . Mais tarde, quando não dispunha já de força física para aguentar a caminhada, chegou a fazer a peregrinação anual num carro de bois.”
A evocação destes dois minhotos de ‘antes-quebrar-que-torcer’ - um herói; outro ‘santo’- está na origem deste passeio por terras do Cávado.
Após uma passagem pela igreja do antigo convento, uma visita às ruínas do castelo e uma oração na velha ermida, descemos até ao túmulo do nosso Bispo Venerável na matriz de Remelhe e visitamos a capela românica de S. Tiago de Moldes - catedral do exílio da nossa diocese - onde lemos a placa.
“No ano de 1911, D. António Barroso, exilado da sede episcopal, ordenou, nesta capela de S. Tiago, 23 sacerdotes da sua diocese do Porto.
No dia 4 de Setembro de 2011, recordando os 100 anos do acontecimento, a Fundação Voz Portucalense, com a participação do Bispo D. Manuel Clemente, fez memória desse gesto profético, com um Te Deum e uma evocação neste local pelo Padre José Adílio de Macedo.”
Depois, ao chegar a Barcelos, o nosso olhar é atraído pelas ruínas do ‘Paço dos Condes de Barcelos’, gótico, (séc. XV), monumento nacional e sede do Museu Arqueológico.
Atravessamos a ‘ponte gótica, (séc. XIV), de cinco tramos desiguais com poderosos talhamares. Dentro da cidade, desperta-nos a atenção, a ‘Igreja Matriz (séc. XIII), de raiz românico-gótica, a ‘Torre Medieval’ (séc. XV) com um magnífico miradouro sobre a cidade; a ‘Igreja das Cruzes’, monumento nacional, estilo barroco, palco das ‘Festas das Cruzes’.
No concelho, merece ainda uma visita o ‘Mosteiro de Vilar de Frades’ (séc. XI), profundamente renovado no século XVI; ‘Mosteiro de Manhente’ de que restam a Torre e a Igreja (séc. XII), monumento nacional, de estilo românico; ‘Igreja de Abade de Neiva’, monumento nacional, a sua feição atual datará do século XIV com caraterísticas românico-góticas.
A montante, paramos na ‘Ponte do Prado’ com 9 arcos, que substituiu a velha ponte romana destruída em 1510. Daqui, damos uma saltada ao ‘Mosteiro de Tibães’ (séc. XI)) que, em 1567, se tornou a Casa-Mãe dos Beneditinos em Portugal; à ‘Igreja de S. Frutuoso’, (séc. VII), de estilo visigótico; às ruínas arqueológicas do mosteiro de S. Martinho de Dume (séc. VI) e, na margem direita, ao ‘Santuário da Senhora do Alívio’ em Vila Verde, (séc. XVIII), grande centro do culto mariano de que tenho particular devoção
Seguimos até à ‘Ponte do Porto’ com 14 arcos no total (séc. XIV) monumento nacional, já em Amares, donde derivamos para o ‘Mosteiro de Rendufe’ (séc. XII) em ruínas, monumento nacional, e para o ‘Mosteiro de Santa Maria do Bouro’, doado por D. Afonso Henriques, em 1148, aos beneditinos e, hoje, convertido numa belíssima pousada. Na freguesia de Fiscal, lembramos o poeta Sá de Miranda (séc. XVI) que aqui viveu e o bem conhecido cantautor António Variações que aqui nasceu.
Subimos até ao ‘Santuário da Senhora da Abadia’, com origens no século VII, um local idílico. E terminamos em ‘São Bento da Porta Aberta’, já em Terras do Bouro, o maior centro de peregrinação de Portugal após Fátima. Em pleno Gerês e debruçado sobre a albufeira da Caniçada, é lugar propício à contemplação. Aí, me encontrava quando se deu o ‘25 de Abril’. Gratas recordações… (18/2/2026)