PATRIARCA DE LISBOA CRITICA CATÓLICOS QUE SÃO CONTRA IMIGRANTES
Este é o titulo que o jornal ‘7Margens’ deu a uma entrevista da Agência Lusa onde “o patriarca de Lisboa critica os católicos que são contra os imigrantes, por desrespeitarem os ensinamentos de Cristo.” que se identificou como peregrino e como estrangeiro”, citando o Evangelho: ‘Eu era peregrino e estrangeiro e vós me recolhestes”. (…)
Reconhece que “o fenómeno da imigração apanhou-nos a todos de surpresa e não fomos preparados para ele.
E dá o exemplo da “sua freguesia natal, Urqueira (Ourém), quando vê a presença de ‘irmãos e irmãs de outros países, de outras tradições, com outros hábitos de rezar e de viver a sua fé’ e olha para o comportamento dos seus conterrâneos”. (19/2/2026)
Porque a ignorância é causadora de medos e desconfianças, lembrei-me da crónica “Os imigrantes vieram e, com eles, religiões e cultos” (JN, 12/1/2025 que começa por dizer: “Neste movimento migratório, as crenças religiosas acompanham os imigrantes, incluindo tradições cristãs, evangélicas, afro-brasileiras, islâmicas – contribuindo para uma crescente diversidade no panorama religioso do país.
E concretiza:
Do Brasil, católicos e evangélicos candomblé, orixás, terreiros e búzios
O catolicismo apostólico romano é a principal religião dos brasileiros (…) Há outras crenças que conquistam espaço com a sua chegada (…)
O candomblé tem raízes africanas, nas religiões tradicionais desse imenso continente. Este culto foca-se em orixás, divindades que representam forças e elementos da natureza, e na permanente busca de equilíbrio entre o mundo físico e espiritual. Manifesta-se em rituais, cantos e danças, que acontecem em terreiros, que são lugares sagrados. ‘Pai e mãe de santo’ são os líderes espirituais que conduzem as cerimónias. As oferendas de alimentos destinam-se aos orixás com o objetivo de manter a harmonia e receber bênçãos. Há também consultas para lançar búzios, ouvir a alma, receber orientações.”
Índia e budismo
O hinduísmo é a religião mais praticada na Índia (…) Congrega várias tradições religiosas e espirituais, baseia-se no karma, acredita na reencarnação, tem muitos deuses e deusas. Em casa, os hindus têm um altar, recitam escritos religiosos, cantam hinos e mantras. Ir aos templos não é obrigatório. (…) Quem o segue o budismo, vive à procura do Nirvana através de práticas como a meditação. As tradições são diversas: tibetana, zen, chinesa, tailandesa, vietnamita”.
Bangladesh e Paquistão
“Estes imigrantes, maioritariamente muçulmanos, trazem consigo práticas religiosas e culturais fortemente enraizadas no Islão, que se manifestam no dia a dia através da ida à mesquita, do uso de vestuário tradicional e da celebração de datas como Ramadão.”
De África, a diversidade
Imigrantes africanos, várias religiões. Umbanda é um exemplo. Religião que combina elementos do catolicismo, do espiritismo, de tradições africanas e indígenas, com os olhos postos na evolução espiritual.”
“A tarefa pastoral da Igreja é ser ela própria uma comunidade de encontro que promove o encontro (…) Numa perspetiva cristã e evangélica nunca podemos deixar de tratar o outro, seja ele quem for, como um irmão ou como uma irmã” – palavras do patriarca de Lisboa na referida entrevista.
E interroguei-me:
- Que pontes tem a Igreja portuguesa estabelecido com estas vivências religiosas que nos chegam de todo o mundo?
- Que temos feito por esses irmãos?
Recordei o trabalho da Igreja francesa com os nossos emigrantes na década de sessenta do século passado. Ainda no passado dia 26 outubro, em Pitões das Júnias, o senhor António Leite, daí natural e emigrante em Brest, me dizia: “O P. Pièrre May, foi para nós um pai. Íamos daqui sem saber uma palavra e, lá, era ele que nos ajudava a preencher os papéis e acompanhava aonde era preciso. Foi ele quem o casou e, aí, batizou duas crianças que, hoje, são figuras gradas da cultura do Porto..
Por pura coincidência, este presbítero francês, por solicitação do P. José Maria Gonçalves Moreira, do ‘Serviço Diocesano de Emigração’, passou o mês de julho de 1968, em minha casa a aprender português e a visitar familiares de emigrantes. Foi o primeiro que acolhi; o último foi o P. Étienne, de Paris.
Que magnífico intercâmbio eclesial… (4/2/2026)