O Tanoeiro da Ribeira

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Em tempo de roturas ameaçadores – a denúncia profética

A - “EUA com enorme frota a caminho do Irão – ‘Temos a Marinha. Temos uma enorme frota a ir nessa direção’, frisou Donald Trump.” (JN, 24/1/2026) Esta ameaça belicista do Presidente Americano fez-me lembrar a ‘declaração inédita sobre (i)moralidade da política de Trump’ feita pelos arcebispos de Chicago, de Washington, e de Newark. “uma rara repreensão direta a um presidente dos EUA” por parte da hierarquia católica”. (7Margens, 19/1/2026) de que respiguei: “Avaliando a política externa dos EUA à luz dos princípios estabelecidos por Leão XIV (…) os três cardeais recordam concretamente o alerta que ele fez em relação ao ressurgimento de um “zelo pela guerra”. Afirmam que “os direitos soberanos das nações à autodeterminação parecem extremamente frágeis num mundo de conflitos cada vez maiores” e que “o equilíbrio entre o interesse nacional e o bem comum está a ser definido em termos extremamente polarizados”. - “Como pastores encarregados do ensinamento do nosso povo, não podemos ficar de braços cruzados enquanto decisões são tomadas que condenam milhões a vidas aprisionadas permanentemente à beira da existência. O Papa Leão XIV deu-nos uma direção clara e devemos aplicar os seus ensinamentos à conduta da nossa nação e dos seus líderes.” - “Os eventos recentes convenceram-me da necessidade de ressaltar a visão do Papa Leão XIV de relações justas e pacíficas entre as nações. Caso contrário, a escalada das ameaças e dos conflitos armados corre o risco de destruir as relações internacionais e mergulhar o mundo em sofrimento incalculável.” - “O ensinamento social católico testemunha que o interesse nacional, concebido de forma restrita, exclui o imperativo moral da solidariedade entre as nações e a dignidade da pessoa humana, traz imenso sofrimento ao mundo e um ataque catastrófico à paz justa.” B - “Liam Ramos, de cinco anos, foi detido anteontem, no Minnesota, pelos Serviços de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) à porta de casa, quando regressava da escola. A operação tinha como objetivo prender o pai do menino.” (JN, 23/1/2026). Esta notícia fez-me evocar o mesmo número do 7Margens em que a Amnistia Internacional denuncia “Práticas autoritárias estão a corroer direitos humanos”. “O relatório, enviado ao 7MARGENS, identifica doze áreas interligadas nas quais o governo Trump está a abalar os pilares de uma sociedade livre, incluindo ataques à liberdade de imprensa e ao acesso à informação, à liberdade de expressão e de reunião pacífica, às organizações da sociedade civil e às universidades, aos opositores políticos e críticos, aos juízes, advogados e ao sistema jurídico, e ao devido processo legal. O relatório também documenta ataques aos direitos dos refugiados e migrantes; a culpabilização de comunidades e o retrocesso nas proteções contra a discriminação; o uso das forças armadas para fins domésticos; o desmantelamento da responsabilidade corporativa e das medidas anticorrupção; a expansão da vigilância sem supervisão significativa e os esforços para minar os sistemas internacionais destinados a proteger os direitos humanos. Como detalhado no documento, essas táticas autoritárias reforçam-se mutuamente: “estudantes são presos e detidos por protestarem em campus universitários, comunidades inteiras estão a ser inundadas e aterrorizadas por agentes mascarados do ICE, e a militarização das cidades nos EUA está a tornar-se normalizada”. “Podemos e devemos trilhar um caminho diferente”, afirma Paul O’Brien, diretor executivo da Amnistia Internacional EUA, citado no relatório. “As práticas autoritárias só se enraízam quando se permite que se normalizem. Não podemos deixar que isso aconteça.” O autoritarismo extremista de Trump cavalga uma onda de populismo que, entre nós, já envenena a mente das crianças: “O ódio também vai à escola. Crianças hostilizadas e atacadas na base da nacionalidade, miúdos que reproduzem, na sala de aula, comentários xenófobos, racistas, misóginos, um cerco de intolerância que se aperta a todos os níveis. O extremismo galgou as grades da escola” (JN, 25/1/2026). Temos de estar alerta… Um regime democrático, na origem, pode, no exercício, tornar-se autoritário. Assim aconteceu com Hitler… E não podemos esquecer os horrores dos ‘campos de concentração nazis’ nem o flagelo da 2.ª Guerra Mundial… Como escreveu o filósofo George Santayana, “aqueles que ignoram o passado estão condenados a repeti-lo.” (25/2/2026)