O Tanoeiro da Ribeira

terça-feira, abril 30, 2024

SONS DA MADRUGADA - MÃE É MÃE...

No ‘Dia do Pai’ publiquei no facebook a fotografia de meus pais com a legenda: ”Neste dia, e porque não os vejo separados, nos meus, a homenagem aos vossos pais”. Entre os comentários, um houve, vindo dum membro do ‘Real Clube de Retorta’, que me trouxe os sons doces da madrugada. O seu autor, António de Sousa Moreira que, desde menino, os conheceu, dizia: “Hoje é o dia do pai, mas olhando para esta foto vêm-me à memória recordações da minha infância e nelas estão sempre presentes o Ti Zé Tanoeiro e a Ti Maria Rosa, a pessoa mais bondosa que eu conheci até hoje”. E, eu, em ‘Dia da Mãe’ por entre neblinas de saudade, recordo tempos já bem longínquos… Os ponteiros do relógio Em Recarei, no dia 5 de fevereiro, celebrava-se anualmente a festa de Sant’Águeda com um afamado ‘concurso de bois’ a que os lavradores da redondeza não faltavam. Num desses dias, fiz uma asneira que poderia ter-me custado uma boa ‘sapatada’. Meu pai tinha um relógio de bolso pendurado na parede ao lado da sua cama. Sem minha mãe ver, eu, nas minhas traquinices infantis, subi para a cama e peguei no relógio que estava sem vidro. Movido pela curiosidade, quis ver se os ponteiros andavam. Mas forcei-os tanto que parti o dos minutos. Minha mãe foi a correr a casa do António da Lamosa, relojoeiro, pôr um ponteiro novo. Como não tinha um igual, colocou um outro bem diferente… Quando o pai chegou, com as rosquilhas da Sant’Águeda, ninguém se descaiu e ele não deu por nada: só via as horas à noite e a lâmpada era fraquinha para não gastar eletricidade… Se alguma vez reparou, nunca disse nada…Mãe é mãe… A reza à noite Após a ceia, mesmo quando o corpo cansado pelos trabalhos no campo pedia cama, sempre se rezou o “terço”. Minha mãe assumia o papel de matriarca. Não aprendeu a ler nem a escrever, mas conhecia bem a Bíblia. Iniciava cada dezena do terço com a meditação dos mistérios. E, no final, havia sempre uma Ave-Maria pelos recém-falecidos. Quando morria um vizinho, já sabíamos que tínhamos mais um cliente… Em 5.ª Feira Santa, porém, o “terço” era substituído por outra oração de que eu gostava mais porque era mais breve…. A Mãe começava: “Minha alma tem-te em ti, / Que Jesus morreu por ti. / Ao Campo de Jerafaz, irás, / Teus inimigos encontrarás e lhes dirás:/ -Vai-te arreda, Satanás, / Que minha alma não terás / Nem parte, nem quinhão terás. / Porque em Quinta Feira Santa, / Ao pé da bela cruz / Cento e cinquenta vezes disse: - “Jesus me salva”. E todos dizíamos: - “Me salve Jesus”. (repetia-se 150 vezes) E a mãe continuava: - “Minha alma firme e forte / Passarás pela hora da morte / Passarás e não morrerás, / Teus inimigos encontrarás e lhes dirás: / -Vai-te arreda, Satanás, / Que minha alma não terás / Nem parte, nem quinhão terás, / Porque em Quinta Feira Santa / Ao pé da bela cruz / Cento e cinquenta vezes disse: - “Jesus me salva”. E nós repetíamos: - “Me salve Jesus”. (150 vezes) Recordei esta oração no ano 2000, quando, em Jerusalém, visitei o vale de Cedron, também conhecido por vale de Josafá, ‘onde Deus julgará’, que, penso, será o ‘Campo de Jerafaz’. Em dias de trovoadas Quando os raios começavam a riscar o céu e os trovões se alongavam pelas quebradas da serra, minha mãe acendia uma vela da ‘Senhora das Candeias’ na ‘sala melhor’, nós fazíamos silêncio e ela cantava o ‘Magníficat’, em latim. Aprendera-o em criança. Era o nosso para-raios. A verdade é que nunca nenhum nos atingiu. Que segurança nos dava. A trovoada não nos metia medo. ‘A ti’ Maria Rosa matou-me muitas vezes a fome’ Estávamos no tempo da guerra. Muita miséria…Campeava o mercado negro dos bens alimentares por causa do ‘racionamento’ imposto por Salazar. Quem tinha dinheiro, ia-se arranjando. Quem não tinha... Lavradores, a panela de caldo adubado com pingue e a broa que a mãe cozia nunca nos faltaram. No ‘barracão’, tínhamos um quarto onde podiam pernoitar os pedintes que andavam de terra em terra. E a mãe, antes de se deitar, levava-lhes uma malga de sopa e um bom pedaço de pão. E às crianças que, à noite, iam com as mães ao leite, a Ti Maria Rosa sempre lhes dava um bom naco de broa. - “Coitadinhos, eles passam tanta fome…”, dizia ela. No seu velório, muitos homens, então bem na vida, choravam e diziam: - “Esta mulher matou-me muitas vezes a fome”. Mãe é flor sem tempo. (30/4/2024)

segunda-feira, abril 22, 2024

PARA MEMÓRIA - A IGREJA E O 25 DE ABRIL - (IV) - EM LISBOA - NOTÁVEIS EXCEÇÕES

Ao celebrar o ‘25 de Abril’, lembramos ‘cantores da resistência’ como Zeca Afonso, Manuel Freire, José Mário Branco, Sérgio Godinho, entre muitos outros. E alguns de nós recordamos o P. Fanhais, um presbítero de Lisboa que, em 1969, Zeca Afonso levou ao programa Zip-Zip e, em 1995, recebeu a ‘Ordem da Liberdade’. No dia 13 de maio do ano passado, 7Margens publicou uma entrevista com o título: “Francisco Fanhais - ‘Jesus Cristo é central para mim” em que o cantor fala da sua vida e assume, sem peias, a sua condição de cristão e o seu passado de presbítero. É uma afável conversa que merece ser lida na versão integral e de que, com vénia, respiguei apenas algumas das falas. - Cristão comprometido “Olho com muita alegria para o Papa Francisco que puxa pela Igreja e puxa por todos nós (…). Nessa perspetiva, sinto-me interpelado porque, tendo sido padre no ativo, não deixo de me considerar cristão (…) Por isso, sinto-me cristão comprometido; nunca escondi, nem nunca escondo, onde quer que vá, que sou cristão.” - Razões para o seu agir “Eu estava no seminário em 1961 quando começou a Guerra Colonial. E aí assim pôs-se-me a questão: como é que um cristão encara a Guerra Colonial? (…) Depois, foi o contestar a Guerra Colonial. Contestar a ligação estreita e a cumplicidade perfeita entre a hierarquia católica e o Estado.” - O exemplo do P. Felicidade Alves, “Entretanto, aparecem muitos outros colegas, muitos outros, com quem a gente conversa. Alguns que são mais dinâmicos, que puxam mais por nós, que são como leões que lutam de uma maneira perfeitamente forte e aguerrida e com toda a fundamentação. Foi o caso do padre Felicidade Alves (conheci-o pessoalmente em 1965, quando, numa ‘semana de pastoral’ no seminário da Sé orientada pelo, então, P. Vieira Pinto, nos veio falar sobre a organização centro-capilar da sua paróquia de Belém, em Lisboa). Ele foi aquele que puxou por nós, que denunciou, que entrou em conflito com a Igreja, justamente por denunciar esta cumplicidade.” - A dupla motivação “Por um lado, como cristão, que não queria deixar de ser, que nunca deixei de ser, que espero nunca deixar de ser. Por outro lado, a dimensão de cidadão que, ao ver o que se passa, ao ver a situação, esta cumplicidade perfeita, não se pode calar também. (…) (…) “As coisas marchavam em conjunto, porque sendo um cristão que quer ser cidadão de corpo inteiro também, apanha dos dois lados, sofre por tabela dos dois lados. E isso aconteceu. “ - A suspensão do sacramento da Ordem “O P. Felicidade, entretanto, foi excomungado, entrou em conflito com a hierarquia e resolveu casar-se numa cerimónia religiosa, não oficial, digamos assim, num monte que fica em frente da ponte de Vila Franca Xira. Foi aí que houve uma cerimónia, um piquenique, onde, às tantas, ele e a Lisete se casaram. E nós estávamos lá presentes, um grupo de pessoas. E então, na sequência dessa minha participação no casamento, eu fui chamado ao tribunal eclesiástico e a pena que me foi aplicada foi a de suspensão do sacramento da Ordem.” - Mais duas proibições “Eu dava aulas de Moral no liceu do Barreiro. A gente falava de tudo, e até de religião. Fui também suspenso de professor de Moral. Comecei a cantar coisas que não estavam de acordo com aquilo que a Censura deixava, com a teoria oficial do Governo sobre as colónias, etc.. Proibido de cantar. Fiquei com essas três proibições.” - A luta pelo sustento… “(…). Portanto, a certa altura, mais concretamente, no princípio de 1971, eu estava simplesmente sem saber o que é que havia de fazer à vida, não é? Não tinha muitas saídas; cheguei a pensar em vender enciclopédias. (…) Nada, não tinha nada. E, portanto, andei a ir buscar carros a Espanha. Havia uma companhia que alugava carros (…)”. - E volvidos cinquenta e dois anos… ”Agora, sinto-me perfeitamente à vontade, de continuar a ser cristão e não o negar a quem quer que seja. Mesmo que muitas vezes me continuem a chamar Padre (…) E, não me incomoda nada…”. É uma lufada de ar fresco e um testemunho de autenticidade de quem, em tempos de opressão e repressão, ousou cantar: “Porque os outros se mascaram, mas tu não. (…) Porque os outros têm medo, mas tu não (…) (Sophia de Mello Breyner / Francisco Fanhais) ( 23/4/2024)

quarta-feira, abril 17, 2024

PARA MEMÓRIA... A IGREJA E O '25 DE ABRIL'' - (III) - EM LISBOA

Contrariamente ao Porto onde se agigantava a figura do seu bispo D. António, em Lisboa, salvo notáveis exceções, era a voz dos leigos que clamava contra a guerra colonial e denunciava o silêncio ‘colaboracionista’ da hierarquia. • Juventude Universitária Católica - “Peixes vermelhos em pia de água benta”, como lhe chamava o ‘Regime’. Em 1958, pela primeira vez desde a fundação do Estado Novo, católicos, organizados, tiveram uma intervenção pública de crítica aos métodos da Igreja e, indiretamente, do ‘Regime’ que até aí beneficiara do seu apoio praticamente unânime. Essa quase unanimidade foi quebrada (19/5/1958) quando um grupo de 28 dirigentes católicos escreveu uma carta ao diário católico Novidades. Protestavam particularmente contra a falta de uma «atitude imparcial» em relação às três candidaturas presidenciais. Os signatários eram gente da J.U.C. e assumiam claramente a sua condição de católicos: “Os abaixo assinados são católicos que nunca se recusaram, sempre que foi necessário, a publicamente dar testemunho da sua Fé e da sua inquebrantável confiança e submissão à Santa Igreja. São católicos que se orgulham em Cristo de serviços prestados no Apostolado leigo”. (Luís Salgado de Matos, A campanha de imprensa contra o bispo do Porto): Era uma elite de jovens intelectuais que iria marcar o ‘pós-25 de Abril’. Só alguns nomes: João Bénard da Costa, António Alçada Baptista, Nuno Portas, José Pinto Correia, João M. Salgueiro, Adérito Sedas Nunes, Nuno Teotónio Pereira, Nuno de Bragança, Mário Murteira, Henrique Barrilaro Ruas, Pedro Tamen, Manuela Silva, Francisco Pereira de Moura. • Capela do Rato - Despertar as consciências Na sequência da vigília pela paz, do ano anterior na igreja de S. Domingos, um grupo de cristãos anunciou, em 30 de dezembro de 1972, um período de reflexão de 48 horas sobre a Guerra Colonial, na capela do Rato. Como forma de solidariedade com as vítimas dessa guerra, os promotores declaravam manter-se em greve de fome até ao dia 1 de janeiro. Ainda no dia 31, as forças do regime entraram na Capela do Rato e detiveram os presentes. “As repercussões da Vigília da Capela do Rato prolongaram-se no tempo. Para além do tratamento mediático, nacional, local e internacional, verificaram-se diferentes tomadas de posição, abaixo-assinados de apoio e de protesto e a produção e difusão de diferentes panfletos. Grupos de católicos e organizações de estudantes e de trabalhadores expressaram-se e alargaram o debate sobre a Guerra Colonial.” Em 2021, a ‘Capela do Rato’ foi enaltecida pela Assembleia da República na justificação do voto de pesar pela morte (21/4/2021) duma “destacada militante católica (…)” aprovado por unanimidade pelo PSD, PAN, PS, PCP, PEV e BE: “Neste contexto de contestação ao salazarismo e à guerra colonial, através de inúmeras ações concretas em que a intervenção política e a fundamentação evangélica se uniram, Maria da Conceição Moita veio a ser uma das organizadoras da vigília pela paz da Capela do Rato (30/12/1972), uma das iniciativas mais emblemáticas levadas a cabo por católicos neste âmbito, tendo sido ela que leu a declaração que convocava a vigília de 48 horas de oração pela paz, assumindo o compromisso de dois dias de jejum completo, como protesto contra situação de guerra que se vivia em Portugal, em solidariedade com as suas vítimas e contra a ausência de uma condenação por parte da hierarquia católica.” Integrado nas comemorações oficiais dos 50 anos do ’25 Abril’, foi inaugurado, no Jardim das Amoreiras, bem perto da capela que lhe deu o nome, no passado dia 25 de março, com a presença do ministro da Cultura, o ‘Memorial à Vigília da Capela do Rato’ em que sobressaem palavras evocativas do seu significado como PAZ, LIBERDADE, ESPERANÇA, JUSTIÇA Nas vésperas do 50.º aniversário da ‘Revolução dos Cravos’, relevo as palavras de José Manuel Pureza, deputado do Bloco de Esquerda, em entrevista ao 7Margens: “A democracia tem uma dívida de gratidão para com aqueles homens e mulheres que deram corpo à ruptura do campo católico com a ditadura e a guerra colonial. Gente que se irmanou com quem combateu pela liberdade, encarando essa entrega como um serviço ao bem comum”. (VP, 17/4/2024)

quarta-feira, abril 10, 2024

PARA MEMÓRIA ... A IGREJA E O 25 DE ABRIL - (II) - NO PORTO

- D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto Tornou-se o símbolo da resistência católica à ditadura de Salazar, em 1958, com o seu “Pro Memoria” = “Carta do Bispo do Porto a Salazar”. “Essa já famosa carta caiu no meio português como gota de ácido em calcário. Não estávamos habituados a gritar alto e bom som os nossos desacordos. D. António quis pensar por si, frente à realidade nua e crua; desceu da estratosfera dos princípios ao rés do concreto e da vida prática; uniu os dois polos e saltou faísca. Nada mais”. (Joaquim Faria, Críticas ao livro de Manuel Anselmo) Esta coragem valeu-lhe um exílio de 10 anos que só terminou quando Salazar deixou de governar. Homem forte que sempre foi fiel ao lema “De joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens”. Em 22/4/1980, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade; em 20/5/1982, foi homenageado na Assembleia da República; e, em 2017, agraciado, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada. - Padre Mário de Oliveira Foi preso pela PIDE em 1970 e em 1973. Aquando do seu primeiro julgamento, o “Notícias da Amadora” (28/12/1970) escrevia: “Os jornais noticiaram o início do julgamento, no Plenário do Porto, do Pe. Mário de Oliveira ‘acusado de, nas homilias de algumas missas dominicais, ter incitado à desobediência colectiva à ordem pública e publicado e difundido escritos seus atentórios da paz social e das Autoridades do Chefe de Estado e da Assembleia Nacional”. O texto a negrito não foi publicado porque foi cortado pela Censura. - Dezasseis Presbíteros e um Diácono No início da década de setenta, um grupo de jovens ordenados secundou a atitude do P. Mário. E, no dia das eleições para a Assembleia Nacional (28/10/1973), fizeram uma homilia coletiva cuja temática explicitaram no ‘Dia da Paz’ (1/1/1974): “Há 13 anos que Portugal mantém uma guerra, com toda uma série de consequências que nos tocam de perto: - Militares mutilados, ou enfraquecidos na saúde e gastos nos nervos; - Famílias abaladas pela ausência ou morte de militares; - Angústia e medo em que vivem as populações nas zonas de guerra; - Mortes, violências e massacres dum e doutro lado; - cada vez mais ódio, intolerância e extremismo.” “Há em Portugal situações que nos interpelam: - A aflição em que vive grande parte da população, economicamente mais débil, perante o crescente aumento do custo de vida; - As condições infra-humanas em que tantos vivem, diminuídos por graves carências de alimentação, habitação, higiene e saúde; - Condições de trabalho e ritmo de produção que fazem dessas pessoas máquinas; - a insegurança dos trabalhadores em risco de despedimento sem justa causa; - Desequilíbrio entre os lucros das empresas e os ordenados; - Os conflitos com estudantes e o recurso sistemático à intimidação e repressão como meio de resolver estes problemas e outros…” “Não podemos deixar de referir os condicionalismos que estão na raiz desta situação: - As informações que a T.V., os jornais e a rádio nos fornecem são frequentemente incompletas, quando não falsas; - Os cidadãos são impedidos de se reunirem, de se associarem e de exprimirem livremente as suas opiniões…” (Coronel António Cruz, ‘As Mentiras de Marcelo Caetano’, pág. 76-83) Esta homilia, que o Governador Civil de então classificou como ‘uma declaração de guerra em dia de paz’ em carta ao Ministério do Interior (10/1/1974), valeu-lhes a suspensão do passaporte e o início dum processo que só não teve graves consequências porque, entretanto… - e foi há 50 anos! - ‘Aconteceu Abril’. Um, pelo menos, destes presbíteros veio a receber (9/7/2014) a ‘Medalha de Mérito-Grau Ouro’ da Cidade do Porto. O P. Fernando Mendes, um dos célebres ‘Padres de Macuti’, que, em 1971, terminou Teologia no Seminário da Sé e, em 1973, regressado de Moçambique, trabalhou com o P. Coelho, na Pasteleira, deixa-nos, no livro Moçambique …A Intervenção da Igreja Católica…, pág. 331, o seu testemunho sobre a, então, Igreja do Porto: “Era um ambiente onde se respirava intensamente o espírito pós-conciliar de uma Igreja serva, pobre e libertadora (…) Um mundo novo, um tempo novo e homens novos, desassossegados com a injustiça, com a pobreza, com a ignorância que permitia a poucos escravizar muitos” (VP, 10/4/2023)