O Tanoeiro da Ribeira

terça-feira, junho 02, 2026

QUANDO OS JOVENS NOS DEIXAM A PENSAR…

‘Uma celebração vibrante sobre a amizade, a resiliência e o brilho que nasce quando temos a coragem de ser, simplesmente, nós próprios.’ ‘A maior arte é a de fazer os outros felizes.’ Quem, na tarde do dia 26 de abril, passasse na rua de Passos Manuel, ficaria surpreendido com a multidão sorridente que se apinhava nas imediações do Coliseu para assistir ao musical “Circo Maravilha’ que ia ser apresentado pela Academia de Música de Costa Cabral, uma escola artística, “com mais de 500 alunos”, que apresenta “as suas atividades no exterior através do desenvolvimento de parcerias junto de várias instituições tais como: Fundação Casa da Música, Câmara Municipal do Porto, Teatro Municipal do Porto (Rivoli e Campo Alegre), Faculdade de Engenharia do Porto, Museu Nacional Soares dos Reis, Fundação Eng.º António de Almeida, Fundação de Serralves, Coliseu do Porto, Banda Sinfónica Portuguesa, Igreja da Lapa, Santa Casa da Misericórdia do Porto, Junta de Freguesia de Paranhos, Fundação EDP, Câmara Municipal de Gondomar, Prémio Jovens Músicos da RTP, Fundação Calouste Gulbenkian, entre outros.” (Anuário da AMCC- 24/25-30 Anos) Essa alegria explodiu em palmas quando, na escuridão da sala lotada, se fez luz e som: luz, das lanternas de centenas de cantores; som, duma orquestra de jovens músicos. Antes, já o narrador concitara a atenção da assistência, indiciando o fio condutor do enredo: ‘Senhoras e Senhores, bem-vindos! Nem sei por onde começar… nunca pensei que esta seria uma história que valesse a pena contar… mas a vida dá cada volta, caro público! Falo da história de Phineas Taylor Barnum. Nasceu numa família humilde, filho de um alfaiate conhecido pela sua honestidade e pelo trabalho incansável ao serviço das famílias mais ricas da cidade. (...) Ele sentia que não pertencia àquele mundo, mas também não aceitava a ideia de que nunca poderia fazer parte dele’. Ao longo de cerca de duas horas, com cantores, atores e instrumentistas, ‘num mundo que dita regras sobre quem devemos ser, o Circo Maravilha, convidou-nos a olhar para o que nos torna únicos. P.T. Barnum, um visionário com o sonho de criar algo inovador, reúne um grupo de artistas extraordinários que, até então, viviam nas sombras. Juntos, descobrem que as suas particularidades não são limites, mas sim a sua maior força. Uma celebração vibrante sobre a amizade, a resiliência e o brilho que nasce quando temos a coragem de ser, simplesmente, nós próprios’. No final, o narrador, à maneira das fábulas gregas que sempre terminavam: ‘hó deloi hoti” (a fábula revela que…,), transmitiu-nos a ‘moral’ deste musical que nos interrogou e deixou a pensar… ‘Bem, caro público, estamos a chegar ao fim desta história. A história de um homem que cresceu pobre, sem nada, e que sempre ambicionou ter mais, muito mais. Mas o que é ter mais, caros amigos? É ter dinheiro? É a fama? É uma mansão? É ter as portas da alta sociedade abertas? O que é tudo isto, se não tivermos tempo para mais? Se não tivermos tempo para jantar com o amor da nossa vida? Se não tivermos tempo para brincar com os nossos filhos e vê-los crescer? Se não tivermos tempo para os nossos amigos? Barnum aprendeu da maneira mais difícil, caro público! E eu? Eu também aprendi algo novo. O que é ser diferente? Porque temos todos de ser iguais? Porque temos todos de viver vidas iguais? O mundo não seria mais bonito, se todos abraçassem as suas diferenças? E nós, público? O que descobrimos hoje? A vida e a arte! A vida, sim, caro público, a vida é o grande show! É o espetáculo que merece ser vivido a 100%, não, a 200%! Essa sim é a nossa missão! A arte… O que é a arte? Eu diria, senhoras e senhores, que a maior arte é a de fazer os outros felizes. Obrigada a todos pela vossa presença! E não se esqueçam, estamos sempre aqui para o grande show!’ A meu lado, alguém dizia: “Se fechasse os olhos, parecia-me que estava perante uma orquestra de profissionais e de atores muito traquejados.” (Fotografia) – Apoteose Final A alegria esfuziante do palco e a emocionada ovação da sala são parca recompensa para quem – alunos, professores, funcionários, diretores, técnicos – tanto trabalhou para nos oferecer este maravilhoso espetáculo, e minguados parabéns para os cantores, atores e instrumentistas que nos mimosearam com a sua arte. Sobra, porém, o mérito e sobeja o agradecimento. (3/6/2026)