VAMOS CONHECER PORTUGAL - V - ONDE A HEROICIDADE TEM NOME DE MULHER
Os de Monção orgulham-se da sua Deu-la-Deu Martins, figura lendária que levou os castelhanos a levantar o cerco a Monção, no reinado de D. Fernando. Com o resto da farinha, cozeu os últimos pães, subiu ao alto da muralha e, daí, atirou-os para o exército inimigo, gritando: ‘Como nós nos achamos bem providos e sabemos que vós estais com fome, aí vos mandamos estes pães e mais vos mandaremos se os pedirdes!”. Os castelhanos acreditaram que ainda havia muita abundância dentro da muralha e foram-se embora.
Já em Melgaço, a heroína é Inês Negra. Aconteceu no tempo de D. João I que cercou o castelo de Melgaço (1388) partidário de Castela. Inês Negra, uma camponesa franzina, combatia ao lado dos portugueses até que apareceu, do lado dos castelhanos, a ‘Arrenegada’, uma mulher avantajada, que a desafiou para uma luta. Após um combate corpo a corpo, entre socos, pontapés, puxões de cabelo, dentadas e unhadas, a ‘Arrenegada’, descabelada e ensanguentada, acabou por cair por terra inanimada, enquanto, Inês, aclamada vencedora, era levada em triunfo para o arraial. No dia seguinte, o castelo entregou-se, sem resistência, às forças de D. João I.
Para reviver a artimanha de Deu-la-Deu, espraiar os olhos pelas águas tranquilas do Minho que lhe correm aos pés, vamos começar o nosso passeio na fortaleza de Monção, erguida por D. Dinis.
Depois…
Subimos até ao Mosteiro de Sanfins de Friestas. Contemplamos a sua igreja românica que remontará ao século VII, extasiamo-nos com a amplitude da paisagem que desce até ao rio e respirámos a frescura da sua mata de carvalhos.
Descemos e admiramos a ‘Torre da Lapela’, relíquia majestosa duma imponente fortaleza afonsina na margem do Minho.
Seguimos para o mosteiro de S. João de Longos Vales, monumento nacional desde 1926, mandado construir por D. Afonso Henriques e entregue aos Cónegos Regrantes. O que mais nos impressiona é a ‘cachorrada’ da igreja românica com forte influência da Sé de Tui.
Paramos na medieval ‘Ponte do Rio de Mouro’, onde, em 1386, D. João I se encontrou com o Duque de Lencastre e acordou o seu casamento com a sua filha Dona Filipa que esteve na origem da ‘Ínclita Geração’.
Já no concelho de Melgaço, começamos no Convento das Carvalhiças, de estilo maneirista, onde o Coro Gregoriano do Porto (5/4/2003) cantou a Missa e deu um concerto de poesia e canto.
Seguimos para o Mosteiro de Paderne, do século XI, românico, monumento nacional desde 1910, onde sobressaem, na fachada principal, os capitéis e a arcada.
Continuamos para o Castelo de Melgaço dominado pela torre de menagem, (século XII), a sentinela mais setentrional de Portugal, onde podemos reviver a vitória de Inês Negra. É património nacional desde 1910.
Em direção à fronteira de S. Gregório, paramos na Senhora da Orada (monumento nacional), românica e coeva da formação da nacionalidade. Daí, subimos até ao mosteiro de Santa Maria de Fiães, do século IX, que pertenceu à Ordem de Cister.
Depois, sucedem-se os píncaros desnudos da serra da Peneda, até ao Santuário da Senhora da Peneda, (século XVIIII) com uma imponente escadaria e coroado por um enorme penedo a que, dada a sua configuração, o povo chama Moisés.
(Fotografia do Moisés)
E a viagem termina em Castro Laboreiro- vila e sede de concelho de 1134 a 1855 - onde, já lá vão 50 anos, passámos uma semana, ainda as casas eram cobertas de colmo e as mulheres iam à missa com a sua capinha de burel. E lembro a amabilidade do pároco, P. Aníbal Rodrigues, que sempre nos acolhia no café, um apaixonado pelos dólmens e pelas gravuras rupestres das redondezas.
E, como chave de ouro, subimos o altaneiro castelo, monumento nacional desde 1944, para tonificar os pulmões e, lá bem no alto, alongar o olhar pelas lonjuras do horizonte e descortinar as ‘brandas’ou ‘verandas’, no planalto, onde as famílias viviam com o seu gado durante o verão para aproveitar o pasto dos montes, e as ‘inverneiras’, na fundura dos vales, aonde se acolhiam, no inverno, para fugir à neve e cultivar as suas magras courelas.
Obrigado pela vossa companhia. Espero que tenham gostado… (26/11/2025)

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