O Tanoeiro da Ribeira

quarta-feira, janeiro 07, 2026

PAI...MÃE... AVÓ... AVÔ...GOSTO MUITO DE TI...

(Fotografia) Este ano, mais uma vez, por convite da paróquia de que é padroeiro, S. Nicolau veio ao Porto, em dezembro passado. Por causa da chuva, não chegou de barco nem foi à Alfândega, mas, acompanhado pelo pároco, acólitos e colaboradores do Centro Social, foi visitar escolas do Centro Histórico. Perdeu-se em solenidade o que se ganhou em intimidade. Acolhido em festa pelas crianças, S. Nicolau disse-lhes que estava muito feliz com os seus sorrisos. Recordou as risadas da sua infância. E convidou-as a acompanhá-lo numa gargalhada…. “Quem ri assim é o Pai Natal”. Disseram. E ele explicou-lhes: - “Não sou o Pai Natal, mas estou na sua origem. Sou muito mais velhinho. Fui bispo em Mira, na Turquia no século IV, já lá vão muitos e muitos anos. No século passado, na América, substituíram a ’mitra’ que trago na cabeça, por um gorro, puseram-me umas barbas brancas e disseram que eu vinha do Polo Norte. Passei a fazer de ‘Pai Natal’, mas, no norte da Europa, continuo a ser ‘Santa Claus’. E, nos países do leste europeu, onde não há ‘pai natal’, sou eu quem anda a distribuir prendas.” De seguida, perguntou-lhes: - “Por que razão a vossa cidade está toda iluminada?” – “É Natal!”, gritaram em coro. - “No Natal festejamos o nascimento de Jesus”, continuou. “Meus pais, que eram muito ricos, ensinaram-me que quem dá aos pobres, empresta a Deus e que Jesus disse:’ O que fizerdes aos meus irmãos mais pequeninos, a mim o fazeis.’ Quando morreram, era eu ainda jovem, fiz o que me ensinaram. Distribuí a herança por quem mais precisava, a começar pelas crianças de quem muito gosto. Por isso, sou o seu ‘santo protetor’”. E deu um exemplo: “Havia, na minha terra, um negociante rico que acabou na miséria. E ficou sem dinheiro para dar um dote às três filhas que estavam para casar. Assim, elas corriam o risco de ser vendidas como escravas ou fazerem coisas más. Então, de noite, sem ninguém ver, atirei pela chaminé três moedas de ouro que caíram dentro dos sapatos das meninas. E o pai já pôde dar-lhes o dote e não ficou envergonhado. Assim, nasceu a tradição da chaminé e do sapatinho na Noite de Natal… “ - Qual é o nome da vossa cidade? - “Porto”, veio a resposta, bem gritada. - Sabeis porque se chama assim? As suas primeiras casas foram onde agora está a Sé. E chamava-se Cale. Muito tempo depois, os Romanos chamaram-lhe Portucale, até que passou a ser, apenas, Porto. Neste porto paravam barcos que traziam e levavam mercadorias do estrangeiro. Quem os conduzia eram os marinheiros e quem fazia negócio eram os comerciantes. No século XIII, os comerciantes e os marinheiros contruíram uma ermida na Ribeira em minha honra que sou o seu patrono. No século XVI, quando foi criada a paróquia (1583), passei a ser o seu padroeiro. No século XVIII, a capela sofreu um grande incêndio e a substituí-la foi construída a atual igreja de S. Nicolau.” - Vós sois estudantes? - perguntou. – Sim, com braços no ar… “Eu também sou o padroeiro dos estudantes. Por isso, em Guimarães, as festas dos estudantes são as ‘Nicolinas’. São em minha honra: Nicolau » Nicolinas. É que eu fui um bispo sábio e, faz agora 1700 anos, participei no Concílio de Niceia onde foi criado o Credo que rezais na Missa. “Creio em um só Deus…” E apontando para o saco que trazia, disse-lhes: “Tenho aqui uma prendinha para cada um de vós. No final, vai ser-vos entregue Mas, agora, vou dar-vos um abraço. É a prenda que vós, em meu nome, dareis aos vossos pais e avós na véspera de Natal, dizendo-lhes ao ouvido: ‘gosto muito de ti’. Um sorriso bailará no rosto de vossos pais e uma lágrima brilhará, feliz, nos olhos dos vossos avós… É o seu melhor presente. E foi no meio de abraços, com alguns empurrões à mistura que terminou este encontro que se continuou na semana seguinte… No ano passado, S. Nicolau percorreu a rua de Santa Catarina e o Mercado do Bolhão. Este ano, foi ao Centro Materno Infantil do Norte levar uma prendinha às crianças doentes e uma palavra de conforto aos familiares. Parabéns ao Centro Social da paróquia de S. Nicolau e ao P. Jardim, os grandes obreiros desta celebração que bem simboliza a ‘alma do Porto’. (7/1/2026)