O Tanoeiro da Ribeira

terça-feira, abril 21, 2026

A sua ternura e o seu sorriso ainda nos aquecem o coração- II

Autobiografia do Papa Francisco é uma lufada de ar fresco. Desta vez, quero partilhar convoco o capítulo À imagem de Deus que sorri: “Somos a imagem de Deus e o nosso Deus sorri”. “O humor, o sorriso são fermento da existência e o instrumento para enfrentar as dificuldades, até as cruzes, com resiliência.” (página 307) O humor dos Papas “João XXIII, cujo carácter brincalhão era bem conhecido, durante um discurso disse mais ou menos: ‘Acontece que muitas vezes, à noite, começar a pensar numa série de graves problemas. Então, tomo a decisão corajosa e resoluta de ir de manhã falar com o papa. Depois, acordo todo suado e lembro-me de que o papa sou eu.” (p. 311) “João Paulo II. Nas sessões preparatórias de um conclave, quando ainda era o cardeal Wojtyla, um cardeal mais idoso e mais rígido aproximou-se dele com a intensão de o censurar, pois andava a esquiar, escalava montanhas, andava de bicicleta, nadava… ‘Não creio que sejam atividades adequadas ao seu papel’, disse-lhe em voz baixa. Ao que o futuro papa respondeu: ‘Mas não sabe que na Polónia são atividades comuns para pelo menos 50 por cento dos cardeais?’ Na Polónia, na época, apenas havia dois cardeais.” (p. 312) Anedotas do Papa Francisco . Sobre os liturgistas - “Penso por exemplo naquela que me contou, num encontro no Vaticano, o ex-arcebispo Welly de Caterbury: - Sabe qual é a diferença entre um liturgista e um terrorista?’, perguntou-me ele. ‘Com o terrorista pode-se negociar.’ Fez-me rir com gosto.” . Sobre os jesuítas - “Quanto ao perigo do narcisismo, a prevenir as justas doses de autoironia, vem-me à mente aquela acerca de um jesuíta um pouco vaidoso que tem um problema cardíaco e deve ser internado no hospital. Antes de entrar na sala operatória, aquele jesuíta pergunta a Deus: - ‘Senhor, chegou a minha hora?’ - ‘Não, viverás pelo menos mais quarenta anos.’, disse-lhe Deus. Assim que se restabeleceu aproveitou para também fazer um transplante de cabelo, um lifting facial, uma lipoaspiração, as pálpebras, os dentes… em suma, saiu dali como um homem diferente. Porém, ao sair do hospital, um carro atropelou-o e morre. Mal se apresenta diante de Deus, protesta: ‘Senhor, mas… tinhas-me prometido que viveria mais quarenta anos?’. E Deus: - ‘Ups, desculpa… não te tinha reconhecido…” (p. 313) . Sobre si próprio – “E também me contaram uma que me diz diretamente respeito, a do Papa Francisco na América. Diz mais ou menos o seguinte: mal desembarcou no aeroporto de Nova Iorque, para a sua viagem apostólica aos Estados Unidos, o Papa Francisco encontra à sua espera uma enorme limusina. Fica um pouco embaraçado com aquela pompa, mas depois pensa que já não conduz há muito tempo e um carro do género mesmo nunca, e diz para consigo: está bem, mas quando voltará a acontecer…Observa a limusina e pergunta ao motorista: - ‘Não me deixaria experimentar?’. E o motorista: - ‘Peço desculpa, Santidade, mas não posso mesmo fazê-lo, conhece os procedimentos, o protocolo…’ Mas já sabem como o Papa quando mete uma coisa na cabeça, em suma, insiste, insiste, até que ele cede. O Papa Francisco põe-se então ao volante numa daquelas enormes estradas e… ganha o gosto, começa a pisar o acelerador: 50 à hora, 80, 120… até que se ouve uma sirene e um carro da polícia chega a seu lado e o para. Um jovem polícia aproxima-se da janela de vidros fumados, o papa um pouco intimidado baixa-a e ele empalidece. - ‘Desculpe, um momento’, diz ele e regressa ao seu automóvel para telefonar à central. - -- - ‘Boss… creio que tenho um problema.’ E o chefe: - ‘Que problema?’ - ‘Bem, parei um carro por excesso de velocidade… mas tem um tipo muito importante. - “Até que ponto? É o presidente da câmara?’- ‘Não, chefe, mais do que o presidente da câmara…’ - ‘Mais que o presidente da câmara, quem é? O governador?’ - ‘Não, mais…’ - ‘Não será o Presidente?’ - ‘Mais, penso eu…’ - ‘E quem poderá ser mais que importante que o Presidente?’ - ‘Ouça, chefe, eu não sei quem é, mas digo-lhe apenas que o Papa é o motorista!’ (p. 314) E, em jeito de conselho: “O humor é também sageza autêntica. E é relação, pois é fácil rir juntos e quase impossível fazê-lo sozinho. E dado que rir é contagiante, uma risada transforma-se facilmente numa cola social.” (p. 316) Que, em nosso rosto, brilhe o sorriso pascal de quem ouviu as palavras que, na Páscoa, Leão XIV nos dirigiu em português; “Levai a todos a alegria do Senhor Ressuscitado e presente entre nós.” (22/4/2026)