A SUA TERNURA E O SEU SORRISO AINDA NOS AQUECEM O CORAÇÃO - I
Um ano é passado sobre o fim do seu peregrinar…
“Uma autobiografia não é a nossa literatura privada, é mais o nosso saco de viagem.” (página 9)
Esperança é um bálsamo para a alma. Lê-la, é mergulhar no âmago duma personalidade poliédrica que nos encanta pela ternura dos gestos, simplicidade no estar e clareza na palavra, por vezes, colorida por um humor espontâneo que nos faz sorrir.
Vejamos…
‘Uma Igreja cada vez mais mãe’’
“Sonho com uma Igreja cada vez mais mãe e pastora, cujos ministros saibam ser misericordiosos, cuidar das pessoas, acompanhando-as como um bom samaritano. Deus é maior do que o pecado, sempre. O Evangelho é isto.” (p.210)
‘A Igreja é mulher’
“Nós, clérigos, somos homens, mas nós não somos a Igreja. A Igreja é mulher porque esposa. E é o santo povo fiel de Deus, homens e mulheres em conjunto. Por isso, identificar critérios e modos novos para que as mulheres sejam cada vez mais plenamente participantes e protagonistas nos vários âmbitos da vida social e eclesial, para que a sua voz tenha cada vez mais peso e a sua autoridade seja cada vez mais reconhecida, é um desafio cada vez mais urgente. Devemos avançar. Neste momento, a secretária-geral do Governatorato do Vaticano é uma mulher.” (p. 216)
Peripécias aquando da sua eleição
- O nome Francisco
“Enquanto os cardeais ainda aplaudiam, o cardeal Hummes (…) levantou-se e veio abraçar-me: ‘Não te esqueças dos pobres’, disse-me ele. A sua frase marcou-me, senti-a na carne. Foi então que surgiu o nome Francisco.”
- A escolha da ‘vestidura’:
. O anel - “Tinha no dedo o anel de cardeal e tirei-o, mas tinha no bolso o anel de da ordenação episcopal e pus esse. Quiseram dar-me outro: ‘Não, não, tenho este., obrigado’
. A cruz peitoral - “Propuseram-me uma bela cruz, em ouro, e disse: ‘Tenho aquela de alpaca da ordenação episcopal, trago-a há vinte anos’.
. Os sapatos – “Os sapatos vermelhos? Não, os meus são ortopédicos. Tenho um pouco os pés chatos.”
. A capa – “Não quis a capa de veludo nem o carretel de linho… Não eram para mim.”
. As calças: “Disseram-me que deveria mudar as calças, vestir umas brancas. Fizeram-me sorris. Disse: ‘Não me agrada fazer de vendedor de gelados’ E mantive as minhas”
.- O tropeção – “Depois da investidura, saí e fui de imediato ter com o cardeal Ivan Dias, que estava numa cadeira de rodas e , talvez por ainda não ter confiança com as novas vestes, tropecei num degrau. O meu primeiro ato de papa… Foi um tropeção. Mas não caí. Abracei-o.”
.- O cumprimento dos cardeais – “Depois, regressei, sem nunca me sentar no trono preparado diante do altar. João Paulo II também o fizera: permaneci de pé´, para abraçar cada um dos cardeais. É algo de medieval que alguém se ajoelhe diante de ti e te beije a mão. Em vez disso, foi uma coisa simples entre irmãos.”
.- O transporte – “Regressado da varanda depois da bênção, desci com os cardeais e. lá em baixo, estava uma limusina toda iluminada que me esperava. Mas disse tranquilamente. ‘Não, não, eu vou com os cardeais’. Apanhámos o pequeno autocarro todos juntos e regressámos a Santa Marta. E nunca mais vi aquela limusina.”
-- O brinde – “Em Santa Marta, jantámos todos juntos e, no fim da refeição, o cardeal Becciu, aproximou-se de mim: ”O papa deve fazer um brinde…’ Está bem’ , sorri e levantei o copo: ‘Que Deus vos perdoe!’, disse eu.”
.- A residência – “Levaram-me a tomar posse do apartamento pontifício (...) E uma vez aí, com o padre Georg, disse-lhe de imediato: “Eu aqui não fico.”
(…) Por acaso, uma vez regressado a Santa Marta, vi que estavam a limpar um quarto. (…) E pensei de imediato: ‘Este é o meu’,”
.- O ritual das exéquias – “Quando acontecer, não serei sepultado em S. Pedro, mas em Santa Maria Maior: o Vaticano é a casa do meu último serviço, não o da eternidade. (…) Falei com o mestre de cerimónias para aligeirar: nada de estrado, nenhuma cerimónia para o encerramento do caixão, nem a colocação da urna de cipreste dentro de uma segunda urna de chumbo e, depois, numa terceira de carvalho. Com dignidade, mas como qualquer cristão”. (p. 236)
E a sua peregrinação terminou no dia a seguir ao Domingo de Páscoa – a sua última aparição pública - no Ano Jubilar de 2025 - “Peregrinos da Esperança’. Coincidências?... Sinais?... (15/4/2026)
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