DO HORROR À ESPERANÇA...
É o nosso ‘miminho’ da manhã. Depois de entregar as netinhas na escola, iniciamos o dia com a leitura partilhada e comentada do Jornal de Notícias.
No dia 31 de agosto, ficamos horrorizados com a notícia:
“No espaço de poucos dias, dois acidentes mortais no Reino Unido e na Irlanda revelaram uma tendência macabra nas redes sociais: jovens a conduzir em contramão para conseguirem visualizações. Se forem perseguidos pela Polícia, é ‘cereja no topo do bolo’. Os vídeos mostram, normalmente, jovens mascarados a conduzir carros em contramão, a altas velocidade, na autoestrada.
Na segunda feira, a Polícia britânica deteve 12 pessoas após um carro perseguido pela polícia se ter despistado enquanto circulava em contramão numa autoestrada, provocando a morte de cinco jovens (entre os 17 e os 23 anos), e dois agentes. (…)
Poucos dias antes, a 16 de agosto, um grupo de jovens entre os 15 e 18 anos morreu após o BMW em que seguia a alta velocidade em contramão, numa autoestrada irlandesa, ter chocado frontalmente com outro carro onde viajava uma família com três irmãs e um menino de sete anos. Os jovens que morreram já tinham publicado vídeos a realizar manobras perigosas ao volante.”
No dia seguinte, noticiava na última página: “O jovem que, com 17 anos, foi detido por instigar raparigas à automutilação, com a criação e envio de vídeos com técnicas de autocastigo, foi acusado de 81 crimes”.
Estas notícias fizeram-me lembrar um inquérito que, em França, a Amnistia Internacional fez a mil jovens dos 13 aos 25 anos, a respeito da sua relação com o TikTok, publicado pelo JN, (22/10/2025). Dizia:
“Mais de metade dos jovens (58%) dizem-se afetados pelos conteúdos, deprimidos e com baixa autoestima. Nos testes realizados com perfis em que assumiu identidades fictícias de adolescentes de 13 a 15 anos, a Amnistia foi bombardeada com conteúdos que incitavam à automutilação e suicídio. (…)
Maelle, uma jovem de 18 anos, (que) partilhou com os autores do relatório um período da sua vida em que quase não ia às aulas e se arrastava, ‘sem força para fazer nada’, passando horas no TikTok. Para descrever esses tempos, afirma que se sentia com ‘a cabeça debaixo de água’. “
No passado dia 20, consagrava as páginas 20 e 21 ao tema “Menores portugueses apanhados em redes que glorificam a automutilação” - É um mundo cruel e perturbador (…) A autoflagelação e as agressões e mutilações de animais são algumas práticas. Muitas vezes filmadas em direto para provar a veracidade dos atos. (…) Uma espécie de ‘competição’ entre comunidades, com os membros a tentar demonstrar que o seu grupo é o mais cruel.”
Até aqui, o horror. Em contraponto…
No dia 22 de outubro passado, na página 28, vislumbramos uma pequenina luz de esperança no texto “Nativos digitais que se tornam offline” que falava da campanha Offline Weekend’ - um fim de semana sem telemóvel - promovida pela capelania do Instituto Politécnico de Bragança e concluía:
“Os alunos começam a perceber que se sentem viciados e que precisam de um tempo de desintoxicação. Estas tecnologias, que prometiam aproximar as pessoas, têm afinal provocado maior isolamento e dificultado a interação social.”
No dia 4 deste mês, o Diretor digital editorial, Manuel Molinos, começava por afirmar:
“Ao mesmo tempo que a inteligência artificial se instala no dia a dia de cada um de nós, estamos a assistir, ainda que de uma forma muito subtil, a uma certa tendência de desligamento digital”.
Depois de vários exemplos significativos, concluía:
“Se este desligamento do digital ganhar dimensão, as consequências irão muito para além do tempo que passamos agarrados ao ecrã. Com menos exposição às redes sociais, a influência que estas exercem sobre nós será muito diferente, incluindo na forma como pensamos, escolhemos e votamos”.
No passado dia 16, noticiava na página 18: “Adolescentes e jovens adultos ajudam a recuperação do mercado livreiro. Foram vendidos quase 15 milhões de obras no ano passado”.
Concluindo… Em dias sombrios ‘de solidões conectadas’, a esperança é a luz que nos ilumina o amanhecer.
E nós, adultos?...
À minha pergunta: ‘Em Portugal, quantas horas passam os adultos ao telemóvel’, o ‘Claude IA’ respondeu: ‘Estudos recentes apontam para valores próximos das 4 horas diárias em média”. E o ChatGPT precisou: “Um relatório sobre Portugal, em 2025, estima 3h38 por dia”
Dá que pensar…Não podemos meter ‘a cabeça debaixo de água’. (30/9/20269

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